História das Berlengas

As Ilhas das Berlengas conta com a presença humana desde o ano 1000 a.C. e foi um local bastante importante na rota marítima atlântica, que fazia ligação entre o Sul e o Norte do Continente Europeu.

Por estas águas navegaram civilizações fenícias, romanas e mais tarde, os portugueses aquando navegavam pelo mundo fora em busca de novos territórios.

Durante o século XV, foi um lugar de bastante interesse para a realeza portuguesa para a prática da caça do coelho, e por esta razão, D. Afonso V declamou este pequeno arquipélago como uma área protegida, proibindo quaisquer acções prejudiciais na vida selvagem ali presente.

Foi neste mesmo século, que se instalou nesta ilha, um grupo de pescadores. Foi construído, no século XVI, sito no actual Bairro dos Pescadores, um Mosteiro da Ordem Jerónima, no qual os monges estiveram sempre ao serviço religioso, prestando assistência às tripulações que por ali passavam.

Infelizmente, por estar bastante isolado, foi alvo de muitos ataques de vários povos europeus e africanos, conduzindo ao término da actividade religiosa deste mosteiro.

Hoje em dia, nos terrenos pertencentes ao mosteiro, localiza-se o Parque de Campismo classificado como um dos melhores da Europa.

Mosteiro da Misericórdia

Foi no início do século XVI construído na Berlenga um mosteiro, a mando de D. Manuel. Esteve activo entre 1513 e 1548, sendo composto por uma capela, pátio, celas para os monges, cisterna, refeitório, dormitório e uma horta onde os religiosos produziam alimentos frescos.

A vida dos monges da ordem de São Jerónimo não era fácil. Os constantes ataques de piratas e corsários e as condições insalubres de vida obrigaram ao abandono do mosteiro.

Este transformou-se numa ruína e foi desmantelado gradualmente, especialmente após o édito de D. João IV que determinava o aproveitamento dos materiais do mosteiro para construir uma série de forificações defensivas na Berlenga.

Hoje em dia restam poucos vestígios da presença do mosteiro. Muita da pedra usada na sua estrutura foi posteriormente reaplicada na construção do Forte São João Baptista e do Castelinho.

O Rei das Berlengas (1978)

A forte presença do arquipélago das Berlengas no imaginário colectivo português inspirou a realização do filme O Rei das Berlengas, realizado em 1978 por Artur Semedo.

A história passa-se nos tempos que se seguiram à revolução de 25 de Abril de 1974, quando um tal de D. Lucas de Midões decide aproveitar o caos instalado para proclamar a independência das Berlengas.

O filme é uma incursão à área do burlesco, trazendo até ao espectador uma sátira que vai fundo na história para pintar as tendências independentistas da inexistente população do arquipélago.

Eram os Teles de Midões que reinavam nas ilhas quando D. Afonso Henriques consegue através de manobras pouco leais incorporar o arquipélago no reino de Portugal. Desde então a família dos Teles de Midões tentaram sucessivas vezes recuperar a independência, tendo sido invariavelmente atraiçoados pelos desígnios da história.

No centro da acção, sempre o actor Mário Viegas, mudando conforme o Teles de Midões em questão, numa espiral de loucura que inclui o apoio de Astérix e Obélix para a obtenção da independência nacional e a criação de um cavalo de Tróia para tentar reconquistar as Berlengas.

O filme, que tem como nome completo O Rei das Berlengas ou a Independência das Ditas, dura 115 minutos e conta com a participação dos actores Mário Viegas, Isabel de Castro, Artur Semedo, Joaquim Letria, Paula Guedes, Maria Albergaria, Elisa Gisette, Helena Garcia. Foi produzido pelo Instituto Português do Cinema, com base numa ideia original de Artur Semedo, Joaquim Letria e  Mário Viegas. A autoria da música é de Raul Ferrão.

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